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O desamor é um sentimento que já sentimos alguma vez na vida. Tal como o amor, o desamor pode surgir quando menos o esperamos. E o inesperado, trás sempre consequências imprevisíveis, as quais não controlamos completamente.
Quando nos deparamos com uma situação de desamor, na generalidade temos duas opções: ou superamos e seguimos em frente, ou não superamos e vivemos na angústia desse sentimento que pode, em casos extremos, levar ao suicídio.
A ideia de morte, face à impossibilidade do amor não é velha: conhecemos vários exemplos em que a morte resulta de uma impossibilidade amorosa: Romeu e Werther são dois casos disso, cada um à sua maneira.
Nesta obra apresentam-se 7 exemplos de personagens masculinas que sofreram, de alguma forma, de desamor. Apresentam-se separados por períodos de 70 anos, iniciando em Romeu e terminando em Mister Du.
Romeu (1597) suicidou-se ao pensar que a sua amada Julieta estava morta1. Cyrano (1667) amou secretamente a pretendente do seu amigo2. Werther (1737) suicidou-se ante a impossibilidade em consumar o seu amor3. Charles Fox (1808) casou secretamente com uma mulher não aprovada pela sociedade4. O conde Vronsky (1877) incita o seu amor a abandonar a seguridade do lar em detrimento da aventura da paixão5. Robert Schuman (1947) trava uma longa luta legal para poder casar-se com o seu amor6. E Mister Du (2017) cujo amor a vida não eternizou.
Através dos personagens citados apresenta-se, em termos gerais, uma única razão para o desamor: o desencontro sentimental entre dois seres, que pode ser provocado por aspirações próprias ou por outrem. No desamor, existe sempre um desencontro e um sentimento de perda.
Na série dos 7 retratos, os personagens apresentam-se dispostos por uma ordem cronológica, mas também segundo uma pauta musical. A sua localização no espaço fotográfico, lembra o de uma pauta musical, sendo a figura iluminada uma nota nessa grande sonoridade que é o desamor.
Tendo como base as figuras originais em que se inspira, no entanto, a forma como Vieira nos apresenta esses personagens têm uma uniformidade latente: o personagem usa sempre o mesmo figurino – tronco despido vestido com calças escuras, no qual o que se evidencia é a mancha clara do corpo iluminado, levando-nos a considerar que ele – Mister Du – é todos eles.
As poses, apesar de semelhantes aos personagens originais em que se baseiam, têm diferenças que as destacam, tornando-as independentes dos originais. Cada uma por si conta uma história diferente.

NOTAS:

5.   5-   o ser humano teve que optar entre a segurança e o prazer. A segurança do comprometimento com a família, com o carinho, com a companhia sincera e rotineira dos cônjuges, e o risco de experimentar grandes aventuras e paixões.
     6http://encontrointimo.com.br/artigos/familia/anna-karenina-entre-a-culpa-e-o-prazer/

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